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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Abaixo-assinado pela abertura dos arquivos da repressão política na ditadura militar



Nós, abaixo assinados, apoiamos a Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar.

Nós, abaixo assinados, consideramos que é direito das famílias dos desaparecidos conhecerem o destino de seus entes queridos.

Nós, abaixo assinados, estamos convictos de que o conhecimento pleno do que ocorreu nos porões da ditadura durante os chamados anos de chumbo é importante para se evitar a repetição da barbárie. Um país que não conhece sua História está fadado a repetir os erros.

Por fim, esperamos que as autoridades do Executivo e do Legislativo, a quem se destina este documento, determinem as providências necessárias para que seja dada publicidade aos arquivos, criando assim as condições para uma verdadeira reconciliação nacional.

http://www.oab-rj.org.br/forms/assinaturas.jsp

Definição de anarquia – Errico Malatesta

Anarquia é uma palavra grega que significa literalmente “sem governo”, isto é, o estado de um povo sem uma autoridade constituída.
            Antes que tal organização começasse a ser cogitada e desejada por toda uma classe de pensadores, ou se tornasse a meta de um movimento, que hoje é um dos fatores mais importantes do atual conflito social, a palavra “anarquia” foi usada universalmente para designar desordem e confusão. Ainda hoje, é adotada nesse sentido pelos ignorantes e pelos adversários interessados em distorcer a verdade.
            Não vamos entrar em discussões filológicas, porque a questão é histórica e não filológica. A interpretação usual da palavra não exprime o verdadeiro significado etimológico, mas deriva dele. Tal interpretação se deve ao preconceito de que o governo é uma necessidade na organização da vida social.
            O homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite , através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível. Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um patrão.
            Da mesma forma, um homem cujos membros foram atados desde o nascimento, mas que mesmo assim aprendeu a mancar, atribui a essas ataduras sua habilidade para se mover. Na verdade, elas diminuem e paralisam a energia muscular de seus membros.
            Se acrescentarmos ao efeito natural do hábito a educação dada pelo seu patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entenderemos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo são estabelecidos. Suponho que um médico apresente uma teoria completa, com mil ilustrações inventadas, para persuadir o homem com membros atados, que se libertar suas pernas não poderá caminhar, ou mesmo viver. O homem defenderia suas ataduras furiosamente e consideraria todos que tentassem tirá-las  inimigo.
            Portanto, se considerarmos que o governo é necessário e que sem o governo haveria desordem e confusão, é natural e lógico, que a anarquia, que significa ausência de governo, também signifique ausência de ordem.
            Existem fatos paralelos na história da palavra. Em épocas e países onde se considerava o governo de um homem (monarquia) necessário, a palavra “república” (governo de muitos) era usada exatamente como “anarquia”, implicando desordem e confusão. Traços deste significado ainda são encontrados na linguagem popular de quase todos os países. Quando essa opinião mudar, e o público estiver convencido de que o governo é desnecessário e extremamente prejudicial, a palavra “anarquia”, justamente por significar “sem governo” será o mesmo que dizer “ordem natural, harmonia de necessidades e interesses de todos, liberdade total com solidariedade total”.  
            Portanto, estão errados aqueles que dizem que os anarquistas escolheram  mal o nome, por ser esse mal compreendido pelas massas e levar a uma falsa interpretação. O erro vem disso e não da palavra. A dificuldade que os anarquistas encontram para difundir suas idéias não depende do nome que deram a si mesmos. Depende do fato de que suas concepções se chocam com os preconceitos que as pessoas têm sobre as funções do governo, ou o “Estado” com é chamado.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Minha menina-mulher-moça-menina




Isthar (visão material)
Aquele seu gesto tão simples
Espero não ter sido uma esmola
Queria então ser um mendigo
Sentado nas escadas de uma igreja
Olhando as sombras que caem das janelas,
Enquanto você passa e olha.
Perto dela os astros caem,
O mundo é só uma pequena esfera.

Isthar ( visão imaterial )
Luas, núpcias, chuvas, primavera
Conheces à todo o encanto
Guardiã das Visões do Paraíso
Daí-me o sono que tanto preciso
Para que não sinta nem entenda,
Os Grandes Sistemas do Mundo .
Perto dela os astros caem,
O mundo é só uma pequena esfera.


Kelly, minha doce e eterna menina...
Meu amor por ti vem desde a minha primeira infância, onde você era uma linda criança...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Estrela da Vida Inteira





Há 22 anos atrás uma estrela caiu lá do céu...
Antes era um anjo ou uma anja,
Depois virou estrela e veio a terra em forma feminina,
A mais terna, doce e linda forma feminina...
Hoje ela é meu amor,
Mais ainda eu a amo como se fosse aquela estrela
Que eu comtemplava aqui da terra...
E desde esse tempo em que ela era uma estrela
O admirável mito do amor me rondava
E me fazia torcer o pescoço para o céu.
Essa estrela colocou meu Universo em transformação
Essa estrela iluminou a minha noite escura
Essa estrela incendiou minha noite
E trouxe mais cor as minhas manhãs
E trouxe mais sol em minha auroras
E essa estrela é meu sol,
Essa estrela é meu girassol,
É a força em potência,
A transformação do amor na vida e na vida no amor
Essa estrela fez de meu céu um espetáculo do tempo e dos ventos
E eu nunca pensei que fosse amar como eu amava,
Por que até então eu nunca tinha amado,
Eu vivia na ignorância do desamor.
Essa estrela hoje é minha mulher
Minha menina-mulher, moça-menina.
Acima de tudo menina.
Acima de tudo festa.
Acima dos hemisférios, primavera.
Desnuda para a vida, coberta para o meu amor
Prímula, violeta, azaléia, planta, estrela
És criança, Gaia, Isthar, terra.
Menina-mulher, moça-menina
Acima de tudo menina.
Acima de tudo festa.
Acima dos hemisférios, primavera.
Luz do êxtase do amor da mulher amada
Em ti eu encontrei...
Luz na minha estrada infinita,
Luz na minha noite escura,
Luz no sertão do meu coração,
Luz da luz de meus olhos,
Luz de minhas primeiras manhãs,
Luz de minhas noites de verão,
Luz de meus sonhos de juventude
Estrela de minha vida inteira.

FELIZ ANIVERSÁRIO MEU AMOR, FEIZ ANIVERSÁRIO ESTRELA DA VIDA INTEIRA!!!

TE AMO KELLY, ESSE AMOR MOVE ESTRELAS E OUTROS ASTROS!!!

PS: Preciso roubar todas as estrelas para ti Kelly, sem você brilhando no firmamento elas ficaram todas órfãs e choram a tua ausência, leda irmã das constelações.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Por que te amo (Para Kelly Sokoloski)

Por que te amo vou fundo no poço
No fundo de um poço de um poço.
Por que te amo nunca é tarde demais
E minha vida nunca dorme,
É uma vida dessas que não dorme jamais.
E desde o tempo em que você era uma estrela
O admirável mito do amor me rondava
E me fazia torcer o pescoço para o céu.
Por que te amo não existe tempo feio
Sol, chuva, tempestade, garoa e solidão
E só a lua é testemunha.
Por que te amo nunca mais vou morrer
Tornei-me eterno sem querer,
Mas no fundo querendo,
Te amar me colocou na posição de imortalidade.
Por que te amo não tenho medo de perder
E aposto tudo no jogo da vida.
Não acredito na sorte
Não tenho medo da morte
Apenas desconfio do acaso
Esse anjo caído sem asas bêbado e maroto.
Por que te amo sou um forasteiro
E para forasteiros não existem leis
A não ser a lei do amor, a lei do sangue.
E roubar seu coração ainda é muito pouco
É preciso mais, é preciso
É preciso roubar seu corpo e todas as estrelas para ti.
Por que te amo sou um poeta maldito
Que escreve poemas sujos e obscenos
Afirmo a embriaguez como condição primeira
Para se chegar ao êxtase do amor da mulher amada
Um poeta maldito,
Que se apaixona todo dia pela mesma mulher.
Por que te amo intensificou-se a intensidade em mim
E intenso torna-se o amor ao amar-te
Conjugo a intensidade, sobretudo no amor
E por que te amo sou uma síntese de tudo
De tudo que existe, já existiu e ainda pode existir
Teu amor me transformou num ser atemporal.
Dionisíaco e báquico saúdo Eros na civilização.
Por que te amo sou o Universo em transformação
E transformo todo o meu amor em vinho, leite e mel
E o devolvo para sua boca e seu coração.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Henry Claude Stelmarsczuk - Mais que uma invenção



MAIS QUE UMA INVENÇÃO

Há boatos (veementes) que defendem que Henry Claude Stelmarsczuk existe. Mas talvez não se possa crer muito nisso. A data de 25 de agosto de 1985 em um registro civil pode ter sido forjada por alguém, quiçá pelo responsável pelo cartório, que poderia ter uma grande necessidade de ser outro, de ter um heterônimo para escrever sua poesia. Seja como for, existindo ou não, Henry Claude é um poeta maldito. E poeta no sentido pleno da palavra: é alguém que poetiza a todo instante, fazendo com que sua poesia maior se situe em sua vida (ou não-vida), para além, muito além de seus livros.
Há dois anos lançou Niilismo dos Símbolos, um cântico soturno sobre os labirintos do seu próprio espírito. Com Aforismos de Cordélia o poeta se afasta um pouco de si, e se coloca à disposição de um caminho de insanidades, mas também de muito amor.
Com influência simbolista, notadamente Cruz e Souza e Baudelaire, e, sobretudo, com forte influência de Drummond, Henry Claude vem traçando uma rota isolada, como que um largo caminho aberto, à margem de todos os caminhos, como que uma estrada desprovida de contatos com estradas que não sejam aquelas que partem de seu próprio coração.
Sua poesia é mais que um desabafo – é um descaminho, um desconcerto. Ouçamos com atenção o que o poeta tem a nos falar. Ele ouviu seu coração, e só aqueles que conseguem este feito merecem ouvidos abertos e francos. E isto considerando, talvez possamos dizer que os boatos se confirmam: Henry Claude existe mesmo. Não é apenas uma invenção.

Por Maygon André Molinari

PS: Fotografado bebendo catuaba com rosa do amor num desses sarais literários...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Moto chopper e custom parts

O estilo chopper vem de longa data no meio motociclístico. De acordo com alguns estudiosos e curiosos do assunto, ele começou a ser difundido de uma necessidade básica de alguns “motoqueiros”. Durante a 2ª grande guerra, a montadora americana Harley Davidson, forneceu containers de motos, produzidas especialmente para este fim. Foi a época que a Harley mais produziu em série e por ser a 1ª moto que se tem notícia, ela eternizou-se como a marca e o modelo mais conhecido mundialmente.
Depois que terminou a guerra, estas motos ficaram por muito tempo estocadas como material do “pós-guerra” e acabaram sendo vendidas ou leiloadas como artefatos sem utilidade. Os soldados que agora tornaram-se civis e voltaram para a normalidade de suas vidas, começaram a sentir-se muito entediados, já que não sentiam mais a vida por um tris como na guerra, e não estavam mais acostumados a vida de casa, mulher e filhos, faltava a adrenalina, faltava a eminência do ataque, faltava o risco e junto com ele o perigo. Então estes mesmos compraram estas motos em leilão, para se sentirem menos entediados com suas vidas de civis que agora levavam. Elas eram pesadas e vinham com muitos acessórios, caixas e dispositivos para se levar ferramentas e munições e eram usadas como meio acessível de transporte nos campos de batalha e acampamentos. Como estes acessórios deixavam as motos pesadas, estes ex-soldados começaram a cortar todos os excessos. Dai vem o nome chopper: cortar. Deixavam apenas os básico, muitas não possuíam nem paralamas dianteiro e nem freio dianteiro, roda livre. Em suma, sem os excessos a moto rodava livre e ganhava mais velocidade, um bom exemplo é a moto usada por Peter Fonda em Easy Rider (Sem Destino) de 1968, a moto do Capitão América. Este filme também serviu para difundir o estilo chopper.
Atualmente o espírito chopper ainda vive, presente em pequenas mas expressivas oficinas, as vezes improvisadas na garagem de alguma casa, pois este espírito é cigano e ele anda. Mecânicos e simpatizantes constroem verdadeiras obras de arte em cima de duas rodas. Como é o caso de um pessoal de Imbituva que está surpreendendo e ganhando a cena underground. Encabeçados pelo mecânico Junior que tive o prazer de conhecer pessoalmente e trocar algumas ideias a respeito do assunto e inclusive “encomendar” a execução de um projeto chopper rat bike, que já há algum tempo descolei este projeto mas ainda não tinha achado gente competente e que tenha o espírito chopper para concretizá-lo. O custom parts Junior com certeza foi o precursor do 1º chopper que rodou em terras imbituvenses... o cara que foi o criador da criatura de outro planeta!!! Este mecânico é um verdadeiro artesão, ele parte do zero, adapta em cima de qualquer projeto, cria, inventa, improvisa, corta, aumenta, diminui, enverga, estende, lembra um músico de jazz, sempre improvisando arranjos ao vivo e a cores. E quem faz o que gosta, sempre faz bem feito, tem o talento e o dom, um verdadeiro artesão que modela metais pesados, forjando formas distorcidas que viram verdadeiras obras de arte. Junior com certeza tem o que muitos chamam por ai de espírito chopper.
Na foto abaixo uma Harley usada na 2ª guerra mundial e todos os dispositivos que ela possuía para o transporte de material bélico, logo abaixo as criações de Junior no mais ousado estilo chopper, Another Planet (laranja) e a Las Vegas (azul).





quarta-feira, 4 de maio de 2011

Trópico de Câncer, de Henry Miller



Já está nas livrarias uma nova versão de Trópico de Câncer, de Henry Miller, traduzido por Jorge Freire. A reedição pela Bertrand desta narrativa autobiográfica, passada na Paris dos anos 30, inaugura a colecção 'Obras Literárias Escolhidas' lançada por esta editora.
Esse livro tardou em ser publicado nos Estados Unidos. Veio a público em Paris no ano de 1934 e só em 1961 chegaria às estantes americanas.
Jorge Freire considera "a criação, o tempo e a morte, a abolição da diferença entre o mundo das ideias e a experiência vivida e a quebra voluntária dos tabus" temas centrais de Trópico de Câncer.
De acordo com o tradutor, o prazer e o desejo, a que o escritor chama "milagres da personalidade", são "afirmação da verdade, da literatura, da vida e do individualismo".
Relato autobiográfico, Trópico de Câncer leva-nos pela Paris de entre-guerras vista e vivida por um Henry emigrado que deixara para trás Nova Iorque e fora para Paris em busca de um sonho: escrever. A fome, o sexo, o álcool, os biscates, a loucura, o delírio atravessam as páginas desse romance sobre o qual caiu o libelo de pornográfico e obsceno.

Henry Miller



"Suponhamos que amanhã, como consequência de terem lido Henry Miller, todas as pessoas começavam a usar uma linguagem livre, uma linguagem de sarjeta, se quiserem, e a agir de acordo com as suas crenças e convicções. E então ? A minha resposta é que, acontecesse o que acontecesse, seria como nada tivesse ocorrido, nada, insisto, se o compararmos com os efeitos da explosão de uma única bomba atómica. E isto é, confesso, a coisa mais triste que um indivíduo criador como eu pode admitir.
É minha convicção que estamos hoje a atravessar um período a que se poderia chamar de "insensibilidade cósmica", um período em que Deus parece, mais do que nunca, ausente do mundo, e o homem se vê condenado a enfrentar o destino que para si próprio criou. Num momento como este, a questão de saber se um homem é ou não culpado de usar de uma linguagem obscena em livros impressos parece-me perfeitamente inconsequente. É quase como se eu, ao atravessar um prado, descobrisse uma erva coberta de esterco e, curvando-me para a ervilha obscura, lhe dissesse em tom de admoestação: "Que vergonha!"

UMA HISTÓRIA DE DOIS HENRYS



A história que vou contar é bem conhecida, mas eu gosto muito dela, e por isso não resisto à tentação de contá-la, já que é a história do automóvel, tão presente em nossas vidas e na nossa pós-modernidade

Henry Ford deixou de ser um mero inventor para se tornar um homem de negócios quando, com ajuda de um grupo de investidores de Detroit liderados por William Murphy, fundou a Detroit Automobile Company, a 5 de agosto de 1899, 110 anos atrás.

Mas Ford ainda não havia conseguido aperfeiçoar sua ideia de automóvel, aquela que ia desabrochar no modelo T e fazê-lo o mais importante industrial do século. Naqueles tempos em que a tecnologia desta nova máquina ainda não era dominada, acabou por falhar em criar algo que pudesse ser produzido e vendido com lucro, e a empresa logo acabou. Ford de certa forma ainda tinha muito a descobrir.

A próxima tentativa veio com a Henry Ford Company, incorporada no fim de 1901. De algum jeito, Henry conseguiu que William Murphy investisse novamente a maior parte do dinheiro necessário, mesmo depois de perder bastante com o fracasso anterior.

Mas Henry ainda não estava pronto para ser um industrial; tinha àquela época descoberto as competições automobilísticas. Em busca de mais conhecimento sobre o animal automóvel, de glória e publicidade, e de dinheiro, Henry devotava a maior parte de seu tempo a um monstro cuspidor de óleo, um carro de corrida que atendia pelo nome de “999”, que traria a ele tudo isso, menos a parte do dinheiro...

Logo, Murphy estava possesso com a incapacidade de Ford de criar um carro vendável. Foi aí que ele teve uma ideia sem nenhuma possibilidade de sucesso: Achou que podia contratar um chefe para Henry Ford.

Entra em cena Henry Leland (foto no fim deste post), um dos diretores da Leland & Faulconer, uma oficina de usinagem famosa em Detroit. Leland fora treinado na fábrica da Colt (o lendário Springfield Armory), e era famoso pela elegância, precisão e durabilidade de suas peças usinadas. Àquela época, a L&F ficara conhecida por produzir excelentes motores para os Oldsmobile de Ranson Eli Olds. Em visita à fábrica de Ford, pintou um quadro aterrador de fracasso iminente para Murphy, e acabou sendo contratado como supervisor geral da Henry Ford Company.

Henry não durou muito ali; logo em seguida abandonou a empresa, e com ele foi-se o nome da companhia. Alguns dizem que ele foi demitido; outros, que pediu demissão; o que sabemos com certeza é que Ford não saiu contente. Murphy reorganizou-a com Leland como líder, e adotou um nome que todos conhecemos: Cadillac Automobile Company.

Cadillac era o sobrenome do fundador da cidade de Detroit, um nobre francês chamado Antoine de La Mothe Cadillac. Sob a batuta de Leland, a Cadillac ficaria famosa por iniciar a intercambiabilidade de peças, e seria comprada pela jovem General Motors em 1909, para ser a sua marca de prestígio e de luxo. Leland é reconhecido hoje como um dos maiores pioneiros do automóvel, e sua contribuição em técnicas de usinagem, precisão e tolerâncias é absolutamente inestimável.

Todos sabemos o que aconteceu com Ford: sua nova companhia (a terceira), Ford Motor Company lançou o modelo T em 1908, e em 10 anos ele era um dos homens mais ricos e poderosos do planeta.

Alguns anos depois da compra da Cadillac pela GM, em 1917, Leland e Murphy criam uma nova companhia: a Lincoln Motor Company, com a intenção de competir com a sua antiga empresa, com carros de alta qualidade.

Alguns anos depois, com a empresa em concordata, a Lincoln acaba por ser comprada por quem? Henry Ford. Em menos de um mês, Henry Leland estava desempregado.

Ford jurava de pé junto que fora uma lógica decisão empresarial, mas todos sabemos que, afinal de contas, o velho Henry conseguira, finalmente, sua vingança.